Delta Cafés e TecniDelta | Um caso de sucesso em Portugal


Oportunidades de Negócio e de Impacto Social

Estudo de Caso | Delta Cafés e TecniDelta (Novembro de 2019)


INTRODUÇÃO AO TRABALHO EM MEIO PRISIONAL


REINSERÇÃO SOCIAL

O objetivo da reinserção é a reabilitação de pessoas que já estiveram reclusas para a vida em sociedade e a consequente reduçãoda reincidência criminal.

O trabalho é uma das ferramentas que mais ajudam reclusos e pessoas previamente reclusas a reconstruir as suas vidas.


VANTANGENS DO TRABALHO EM MEIO PRISIONAL PARA AS EMPRESAS


Redução de Custos

Benefícios fiscais dados pelo IEFP e pela Segurança Social, como por exemplo a isenção da TSU (Taxa Social Única). Para além disso, e apesar de existir um valor pago à Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), a redução de custos com a infraestrutura é um fator a ser tido em conta.

Retenção e Satisfação dos colaboradores

Os colaboradores das empresas são fundamentais por serem eles os principais responsáveis pela implementação diária das práticas definidas pela organização. A sua disponibilidade e adesão às mesmas é crucial para que sejam alcançados os resultados esperados. Para além disso, ao investirem no meio prisional, as empresas passam a ser reconhecidas por todos os stakeholders(colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros, etc.) como empresas socialmente responsáveis e focadas no impacto. Sabe-se,hoje em dia, que o impacto social é um dos fatores que mais influenciam a retenção de talento nas empresas.

Flexibilidade na Contratação

Flexibilidade por parte da DGRSP no estabelecimento do protocolo, nomeadamente a nível da duração, do período de trabalho e tipo de remuneração.

Competitividade, inovação e impacto nas comunidades

Como existe uma maior retenção de talento, a capacidade de inovação da empresa também tende a aumentar e, com ela, uma maior competitividade no mercado.



A ausência de trabalho não é causa direta da prática do crime. No entanto, é importante perceber que quando uma pessoa não encontra maneiras de se sustentar e à sua família, as probabilidade de reincidir, de voltar a cometer crimes, aumenta significativamente. Uma grande parte dos indivíduos que saem da prisão procuram reconstruir a sua vida de forma digna, através do trabalho produtivo. O trabalho prisional deve garantir ao recluso o desenvolvimento de competências para o exercício de uma atividade profissional após a libertação.

Por isso, as condições em que o mesmo é realizado, nomeadamente em termos de higiene e segurança, métodos de trabalho e remuneração, devem ser próximas das que vigoram em liberdade.



Este Estudo de Caso tem como objetivo dar a conhecer a iniciativa da Delta Cafés e da Tecnidelta, que promovem a reinserção social através do trabalho em meio prisional numa parceria estabelecida com diversos Estabelecimentos Prisionais (EPs) em Portugal.


A TECNIDELTA

A Tecnidelta opera, desde 1998, no sector dos equipamentos, dos serviços para hotelaria, da restauração e da distribuição alimentar. É responsável pela comercialização e manutenção de máquinas de café, moinhos e equipamentos hoteleiros. .


A TECNIDELTA E OS ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS (EPs)


A Tecnidelta é um ótimo exemplo da criação de impacto em meio prisional. Desde 2008 a Tecnidelta (Centro de Reparação de Equipamentos) tem vindo a instalar oficinas em vários estabelecimentos prisionais com o objetivo de criar hábitos de trabalho, incutir sentido de responsabilidade e ainda promover a empregabilidade dos reclusos.


A Tecnidelta reproduz um ambiente real de trabalho, proporcionando aos reclusos formação e experiência profissional e exigindo-lhes o mesmo rigor, disciplina, responsabilidade e qualidade esperados de qualquer trabalhador.


No que diz respeito à retribuição, os reclusos são remunerados em função dos resultados obtidos. Esta forma de pagamento é equiparável à que a Tecnidelta utiliza nas suas fábricas de Campo Maior.


OBJETIVOS


IMPACTO EM NÚMEROS


DESAFIOS DA TECNIDELTA


Envolvimento na seleção dos reclusos

A impossibilidade de fazer parte da seleção de reclusos fomenta a entrada de pessoas que, por variadas circunstâncias, podem não estar capacitadas para trabalhar nas oficinas.


Início do trabalho nas oficinas perto do término da pena

A entrada nas oficinas Tecnidelta costuma ser tardia, porque, sendo uma oportunidade única, é atribuída como prémio aos reclusos que apresentem melhor comportamento. O aproveitamento de ambas as partes acaba por não ser o melhor porque a maior parte dos reclusos começa a trabalhar perto do final da pena.

Quantidade de trabalho

A quantidade de trabalho nos EPs está dependente da zona onde o mesmo se encontra, visto que algumas áreas apresentam maior fluxo de equipamentos e necessidades que outras.


Desafios logísticos

  • Longos tempos de espera na entrada de material novo nos EPs;

  • Gestão das oficinas em períodos de greves do Corpo da Guarda Prisional;

  • Alguma dependência do compromisso por parte dos colaboradores do respetivo EP. A parceria Tecnidelta/EPs, tende a ter melhores resultados quando os colaboradores do respetivo EP demonstram empenho face à mesma.


FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO


Os desafios da parceria entre a Tecnidelta e os EPs são atenuados pela existência de outros fatores de sucesso. Estes fatores são garantidos através da presença contínua de um colaborador da Tecnidelta, responsável pelas oficinas Delta.

Formação

A formação dada aos reclusos é essencial e um dos aspetos mais importantes quando se trabalha em meio prisional.

Uma boa formação permite que a reparação dos equipamentos seja feita com melhor qualidade e, consequentemente, traz consigo benefícios económicos, na medida em que se evitam os custos de transporte que a Delta suportaria com a eventual devolução aos EPs de equipamentos com erros na reparação.


Presença, Controlo e Monitorização Estes três aspetos são de extrema importância para o bom funcionamento das oficinas nos EPs. O acompanhamento, monitorização e controlo da qualidade, quando permanentes e efetuados corretamente, trazem diversos benefícios para ambas as partes da parceria.


Remuneração

O valor por equipamento reparado que é pago aos reclusos é o mesmo atribuído a trabalhadores nas fábricas da Tecnidelta em Campo Maior. A remuneração é um fator de valorização do trabalho de cada um dos reclusos, que por se sentirem respeitados e valorizados, se empenham nas suas tarefas.


OPORTUNIDADES DE MELHORIA


Formação de Soft Skills A aposta numa formação em competências interpessoais será sempre uma mais valia, na medida em que, independentemente do tipo de trabalho em causa, estas competências beneficiarão, de forma transversal, qualquer recluso ou futuro empregador.


Acompanhamento após a libertação

A Tecnidelta tem como objetivo fornecer um maior apoio após a libertação dos reclusos, designadamente encaminhando as pessoas que saíram da prisão para outros parceiros empregadores ou também promovendo o trabalho independente.

A Tecnidelta tem falta de técnicos de manutenção em vários pontos do país. Acredita-se, por isso, que a contratação destas pessoas possa ser uma mais valia para ambas as partes.





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