A seguir ao (20)19 vem sempre o (20)20!!

Atualizado: Fev 21

Artigo escrito por: Duarte Fonseca


Este breve texto não tem a pretensão de ser uma reflexão profunda do magnífico ano de 2019 que passou, nem tão pouco uma descrição detalhada do plano de actividades da APAC para o ano de 2020. É mais um texto que procura reconhecer e celebrar os sucessos e aprendizagens de 2019, e o que é que isso nos ensina para, em 2020, criarmos ainda mais impacto.


2019 ficou marcado por 3 grandes acontecimentos na APAC:


1) A profissionalização da equipa:

Apesar de continuarmos a acreditar que o voluntariado de competências ou generalista será sempre a grande força motriz da APAC e do seu impacto, a verdade é que a organização tinha chegado a um ponto onde ter pessoas a tempo inteiro a dedicar-se à gestão, organização e sistematização de alguns processos de reinserção, era essencial para continuarmos a fazer o bem, bem feito. Assim, o ano fica marcado por um crescimento de uma equipa de uma pessoa a part-time (portanto meia pessoa [será que se pode considerar uma equipa?]), no final de 2018, para 4 pessoas em 2019. Mas não foi só a profissionalização que cresceu no que toca a pessoas: no nosso jantar de Natal (que na verdade só aconteceu em Janeiro) foram convidadas 64 pessoas (sem contar com beneficiários). Ou seja, existem, neste momento, 64 pessoas envolvidas em diversas áreas da APAC, tais como voluntariado no terreno, mentoria de pessoas que já se encontram em liberdade, conselho consultivo, equipa do escritório, equipa da comunicação, equipa de angariação de fundos, órgãos sociais, eventos, entre outros.



2) O conselho consultivo:

Talvez o maior marco de 2019, não retirando mérito a outros marcos, mas por ser daqueles objectivos que já existiam na cabeça dos fundadores da APAC ainda antes da organização existir formalmente. Procurámos criar um conselho composto por personalidades que se completassem em diversos sectores, tais como política partidária e governamental (esquerda e direita), academia (universidade), comunicação social, justiça e advocacia, relações internacionais, saúde, diversos sectores de negócios, entre outros.


Aqui fica oficialmente os membros que compõe o Conselho Consultivo da APAC:



3) Negócio Social: SOLO Ceramic

Não retirando valor a todos os outros programas da APAC (e a melhoria substancial que

tiveram em termos de conteúdos e voluntários mais capacitados), o lançamento do negócio social SOLO Ceramic, em conjunto com a Sara Oom, a Rita Póvoas e a Rita Fonseca, foi um marco muito importante na vida da organização. Não só por ser o primeiro programa da APAC de alta intensidade (ou seja, trabalhamos com os beneficiários diariamente), mas também porque estamos a dar início a mecanismos de sustentabilidade futura da organização. A APAC terá sempre uma dificuldade grande de financiamento, uma vez que a maioria dos seus custos são recursos humanos (directos e indirectos) por a nossa actividade se caracterizar essencialmente por serviços. A juntar a esta dificuldade, temos a causa em si, que não é das mais acarinhadas pela sociedade em geral por motivos óbvios do mal que foi feito e pelos sentimentos que o crime em geral desperta em nós.

Voltando à SOLO: foi feito o primeiro teste-piloto em Novembro e Dezembro, e maior parte da produção foi vendida para o Natal, o que nos dá uma grande confiança para retomarmos esta actividade a partir de Março, agora em velocidade cruzeiro, sem pausas. Tudo isto só foi possível pelo financiamento da Fundação Montepio ao abrigo do programa FACES.




E o que marcará 2020 em termos de desafios e de objectivos a alcançar:

(apesar de não podermos garantir o sucesso dos mesmos, estes serão os focos para

criarmos mais impacto)


1) Empresas:

Mais empresas vão seguir o exemplo da Timpson no Reino Unido e da Delta em Portugal, e vão juntar-se ao programa Free Works. Este projecto está a ter o seu arranque no Estabelecimento Prisional de Caxias, e tem o potencial para vir a integrar dezenas de reclusos em empresas, dentro e fora dos Estabelecimentos Prisionais.


2) Manutenção da equipa & aumento da rede APAC

Conseguir manter a equipa profissional a tempo inteiro no escritório será um

desafio, uma vez que os modelos de sustentabilidade que a APAC está a criar (negócios

sociais, programa de doadores regulares, etc.) vão sempre demorar até terem uma

expressão significativa no orçamento anual. Assim, implicará conseguir durante o ano de 2020 mais alguns financiamentos que suportem toda a actividade de impacto social e impacto no sistema que a APAC tem desenvolvido e implementado. Contudo, isto não bastará para garantirmos a sustentabilidade a médio/longo prazo. Será necessário continuarmos a aumentar a rede de apoio e de amigos da APAC e do sistema prisional, nomeadamente através da Newsletter, e dos seguidores das nossas variadas redes.


3) Negócios Sociais:

Fazer a SOLO crescer em termos de negócio e de impacto, conseguirmos empregar mais reclusos e darmos a conhecer a marca SOLO como uma marca de impacto. Contudo, em paralelo, a APAC já está a trabalhar em possíveis novos negócios sociais que, quem sabe, poderão ter o seu arranque durante o ano de 2020, criando, não só mais impacto, mas também outros modelos alternativos de sustentabilidade.


4) Políticas Públicas:

Para que o impacto no sistema prisional, e na nossa sociedade, seja sistémico e abrangente é imperativo uma mudança de mentalidades políticas e dos vários actores que se relacionam, directa ou indirectamente, com o sistema prisional. Assim, 2020 já está a ser marcado pelo início da implementação da estratégia de system impact que a APAC tem vindo a desenvolver nos últimos anos e que se tem consolidado com o Conselho Consultivo. Será que com este tipo de abordagem poderemos ter um impacto mais abrangente, com menos obstáculos e mais duradouro? Só o tempo o dirá, mas temos trabalhado com os maiores especialistas nacionais e internacionais para que isso possa ser uma realidade.


Dito isto, se 2019 foi um ano cheio de bons desafios, alguns superados e outros não, 2020 não se espera que seja diferente. Será certamente um ano cheio de altos e baixos, mas onde as pequenas vitórias dos altos nos darão a energia suficiente e a energia certa para continuarmos a trabalhar por uma sociedade mais segura e por uma comunidade que não faz acepção de pessoas, que não deixa ninguém para trás e que acredita que “Ninguém é Irrecuperável”!







Duarte Fonseca

(Director Executivo)

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